personal trainer João Martins a orientar treino personalizado no Algarve

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A Importância da Avaliação Inicial, no início do teu Processo de Treino

A Importância da Avaliação Inicial, no início do teu Processo de Treino

avaliação Inicial

Antes de iniciar o processo de treino, fizeste uma avaliação? Será que essa avaliação é mesmo importante?

Antes de um único exercício, antes de um único peso — existe um processo que determina se o teu treino vai funcionar ou não. É aqui que começa a diferença de um programa genérico para um programa individualizado.

Um dos aspetos que mais diferencia o trabalho de um personal trainer do treino autónomo não é só o acompanhamento durante os exercícios — é o que acontece antes de começar. A avaliação inicial é o alicerce de todo o processo.

Neste artigo explico como é feita esta avaliação, o que avaliamos e porque é que cada passo tem um propósito claro — para ti, para a tua saúde e para os teus resultados.

Sem avaliação não há diagnóstico. Sem diagnóstico não há programa. Quem não avalia não evolui.

1) Questionário PAR-Q — A tua segurança em primeiro lugar

O PAR-Q — Physical Activity Readiness Questionnaire— é o primeiro passo de qualquer avaliação séria. Foi desenvolvido originalmente no Canadá e é reconhecido internacionalmente como a ferramenta de triagem de pré-participação em exercício físico mais utilizada no mundo.

O seu objetivo é simples, mas fundamental: identificar se existem condições de saúde que possam tornar o exercício físico inseguro ou que exijam orientação médica prévia.

O que pergunta o PAR-Q:

As 7 questões essenciais de segurança

  • O teu médico alguma vez disse que tens um problema cardíaco e que só deves fazer atividade física com supervisão médica?
  • Sentes dores no peito quando praticas atividade física?
  • No último mês, sentiste dores no peito em repouso?
  • Perdes o equilíbrio por causa de tonturas ou já perdeste a consciência?
  • Tens algum problema ósseo ou articular que possa ser agravado com a prática de exercício?
  • Estás atualmente a tomar medicação para a tensão arterial ou para o coração?
  • Tens conhecimento de alguma outra razão pela qual não deves praticar atividade física?

Uma resposta afirmativa não significa que não podes treinar — significa que o programa precisa de ser adaptado com maior cuidado, e em alguns casos com orientação médica prévia. O PAR-Q+ de 2024 permite que pessoas com doenças crónicas participem em exercício com as devidas adaptações.

2) Anamnese — Conhecer a tua história e os teus objetivos. A conversa que define tudo o que vem a seguir

Depois do PAR-Q, fazemos uma conversa aprofundada. Esta é a etapa mais importante de toda a avaliação — e a que mais tempo leva.

Nesta fase quero saber: qual é o teu objetivo real — não o que achas que deves dizer, mas o que genuinamente queres alcançar. Qual é o teu historial de exercício — o que já fizeste, o que funcionou, o que não funcionou e porquê. Qual é o teu estilo de vida — trabalho, stress, sono, alimentação, disponibilidade horária. Se tens lesões passadas ou presentes, dores crónicas, limitações de mobilidade ou condições médicas relevantes. E quais são as tuas preferências — para tentar adaptar o máximo possível os teus gostos ao programa.

Toda esta informação é o que transforma um programa genérico num programa teu. É o que me permite saber que não devo colocar determinado exercício, que precisas de progressão mais lenta numa determinada área, ou que o melhor horário para treinar é aquele que se encaixa na tua vida real — não na teoria.

3) Bioimpedância — O que a balança nunca te vai dizer

A balança diz-te um número. A bioimpedância diz-te o que esse número significa. Duas pessoas com o mesmo peso podem ter composições corporais completamente diferentes — e precisar de programas completamente diferentes.

A análise de bioimpedância utiliza uma corrente elétrica de baixa intensidade que atravessa o corpo de forma indolor. Como a gordura e o músculo conduzem a eletricidade de forma diferente, o equipamento consegue estimar com precisão a composição corporal. O que avaliamos:

Percentagem de massa gorda – níveis de gordura alta e menos músculo significa menor proteção, maior inflamação e maior vulnerabilidade a doenças.

Quantidade de massa muscular – Mais massa muscular significa metabolismo mais eficiente, melhor controlo glicémico e maior proteção cardiovascular.

Gordura visceral — aquela que se acumula na zona abdominal e envolve os órgãos — está fortemente associada à resistência à insulina, diabetes tipo 2, doença cardiovascular, inflamação crónica.

Estes dados são o ponto de partida e o ponto de comparação. Cada reavaliação que fazemos ao longo do tempo mostra exatamente o que mudou — não apenas no número da balança, mas no que realmente importa: mais músculo, menos gordura, melhor metabolismo.

4) Perímetros Corporais — O corpo que a bioimpedância não vê

Os perímetros corporais são medições em centímetros de zonas específicas do corpo — e complementam a bioimpedância de forma muito prática. São a forma mais direta de ver onde o corpo está a mudar— e às vezes a mudança acontece em centímetros muito antes de aparecer na balança.

É muito comum um cliente não perder peso durante semanas — mas perder 3 cm na cintura e 2 cm nas coxas. Sem esta medição, esse progresso seria invisível. Com ela, é prova concreta de que o processo está a funcionar. A circunferência abdominal é um indicador simples e eficaz do risco cardiometabólico. Conseguimos avaliar a acumulação de gordura central, fortemente associada a diabetes e doença cardiovascular.

5) Medição da Força — O que a tua força revela sobre a tua saúde

A força muscular é hoje reconhecida como um dos melhores preditores de longevidade e saúde funcional. Um dos testes mais simples e mais estudados é a força de preensão manual — medida com um dinamómetro na mão dominante. É um teste que demora 30 segundos e revela informação que vai muito além da mão. Medir a força permite avaliar de forma simples a saúde muscular e o risco funcional ao longo do envelhecimento. A força de preensão manual está associada à longevidade e ao risco cardiovascular.

Para além da preensão manual, avaliamos também a força dos membros inferiores — através de testes funcionais simples como o teste de levantar da cadeira — e a força de estabilização do core. Cada um destes testes tem referências normativas por idade e sexo que nos permitem perceber onde estás em relação à tua faixa etária — e definir com precisão o ponto de partida do teu programa.

Medir a força no início do processo não é apenas um diagnóstico — é uma linha de base que vai mostrar, em cada reavaliação, que o teu corpo está literalmente a ficar mais forte. E mais saudável.

6)Avaliação “Funcional” — Como o teu corpo se move

Os números dizem muito — mas ver o teu corpo a mover-se diz o resto. A avaliação “funcional” observa a qualidade dos teus padrões de movimento: como agachas, como empurras, como puxas, como estabilizas. É também nesta fase que se avalia a sua capacidade física atual — força de base, resistência, equilíbrio e coordenação. Esta informação ajuda a individualizar o treino com base nas reais necessidades da pessoa, aumentando segurança e eficácia. É a base para melhorar desempenho, prevenir lesões e promover longevidade funcional.  Não uma adaptação de algo genérico. Não o programa do cliente anterior. O teu — com os teus objetivos, as tuas limitações, o teu estilo de vida e a tua história.

Esta avaliação PERMITE:

  • Segurança desde o primeiro dia — identificar condições de saúde que precisam de atenção especial antes de qualquer exercício, protegendo-te de riscos evitáveis.
  • Objetivos realistas e mensuráveis — saber exatamente onde estás permite definir onde queres chegar com metas concretas e prazos realistas — não baseados em expectativas de redes sociais.
  • Programa verdadeiramente individualizado — cada exercício, cada carga, cada progressão é escolhida com base nos teus dados reais — não numa fórmula universal.
  • Progresso visível e documentado — as reavaliações periódicas mostram exatamente o que mudou na composição corporal, perímetros e capacidade física.
  • Prevenção de lesões — identificar limitações e compensações antes de as agravar com treino inadequado é uma das formas mais eficazes de poupar tempo, dor e frustração.
  • Adaptação contínua do programa — à medida que o teu corpo muda, o programa muda com ele. A avaliação não é um momento único — é um processo contínuo de ajuste e evolução.

Um programa feito sem avaliação é como uma receita médica sem diagnóstico. Pode resultar por acaso — mas raramente resulta bem.

A primeira sessão não é de treino. É de conhecimento — do teu corpo, da tua história e dos teus objetivos. Porque acredito que o treino mais eficaz não é o mais intenso nem o mais na moda. É o que foi construído para ti — com informação, critério e respeito pela tua individualidade.